Job viu os acontecimentos que se seguiriam presentes naquele para quem não existe futuro nem passado, naquele que tem todos os acontecimentos simultaneamente presentes diante dos seus olhos. Tendo visto o que ia acontecer no futuro, quer em atos quer em palavras, afirmou: «Os meus olhos viram todas essas coisas e meus ouvidos ouviram-nas»; e, como as coisas ouvidas de nada servem se não forem compreendidas, acrescentou: «e entenderam-nas» (Job 13,1). De facto, quando nos é dado conhecer um acontecimento, seja pela visão, seja pela audição, se não houver compreensão, não há profecia. O faraó viu em sonhos o que ia acontecer ao Egito (cf Gn 41), mas, porque não compreendeu o que viu, não era profeta. O rei Baltazar viu os dedos de uma mão escreverem na parede (cf Dn 5), mas não era profeta porque não compreendeu o que tinha visto. É, pois, para testemunhar que traz em si o espírito de profecia que o bem-aventurado Job afirma que viu tudo, ouviu tudo e compreendeu tudo. Mas tal compree...